
Era uma vez cinco pessoas que desejavam doar seu rim para alguém que necessitava e era seu conhecido. O problema é que, como muitas vezes acontece, os tecidos eram incompatíveis para o transplante.
Aí entra em ação o programa de coordenação de transplantes desenvolvido pelo Hospital Johns Hopkins, de Baltimore (EUA). O sistema localizou outros cinco pares de doadores e receptores com o mesmo problema em outros três estados americanos diferentes. Através da inclusão de mais um doador, que possibilitava o primeiro transplante, começou um jogo de compatibilidades que permitiu, no final, seis cirurgias bem sucedidas.
O cruzamento de informações compatibilizou os rins entre os doadores e receptores que foram então transplantados em sequência. Os procedimentos envolveram 12 horas de cirurgias e equipes com 15 médicos nos 3 hospitais diferentes.
O programa de compatibilização de transplantes renais do Johns Hopkins existe desde 2001 e vem permitindo combinações cada vez maiores. Em 2003 foram três transplantes combinados de forma inédita, evoluindo para cinco combinações em 2006 e agora com seis transplantes em hospitais diferentes.
Apesar do transplante renal ser mais frequente por conta da possibilidade da doação entre pessoas vivas, a compatibilidade é a barreira. Segundo o coordenador do programa americano, se a troca de informações e rins fosse feita em todos os Estados Unidos, pelo menos 1500 transplantes poderiam ser feitos a cada ano.
Em nosso país, o transplante renal é o mais comum entre os transplantes, com mais de 3 mil casos no ano passado. Atualmente milhares de pessoas esperam na fila de transplantes dependendo de diálise para se manterem vivas. Contando com o altruísmo de quem quer ajudar doando um rim e um sistema coordenado, essa espera poderia ser diminuída.