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Transplante :: Outras Notícias ::
Falta de medicamentos preocupa transplantados
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25/4/2008

A falta do medicamento imunossupressor micofenolato de mofetil de 500mg tem deixado pacientes transplantados baianos apreensivos. Com venda proibida, o remédio é distribuído gratuitamente a cerca de 492 pacientes nas farmácias dos hospitais Ana Nery e Manoel Vitorino. Há exatos sete dias, eles foram surpreendidos pela notícia de que o remédio acabou no Ana Nery e não há previsão de reposição do estoque. Até lá, os 437 pacientes cadastrados na unidade ficam sem o medicamento. Só este ano, é a segunda vez que falta a medicação.

A orientação é que os pacientes consigam requisição do também imunossupressor micofenolato de sódio para substituir o remédio em falta. O problema é que, para isso, o tratamento teria que ser interrompido até a realização da nova consulta. A presidente da Associação Baiana de Transplantados, Márcia Chaves, diz que não dá para substituir a medicação de um dia para o outro. "É necessário fazer uma série de exames, e avaliação e consulta também não se conseguem tão facilmente", afirma a presidente da entidade que reúne cerca de 400 transplantados.

Por mês, cada paciente consome entre 60 e 120 comprimidos que, associados a outras drogas, evitam a rejeição de rim, coração ou fígado. Com a falta do medicamento, os pacientes vivem sob a ameaça de ter o organismo rejeitado com a interrupção do tratamento. Enquanto os transplantados renais correm o risco de ter que voltar à hemodiálise, para os de coração e fígado as conseqüências podem ser fatais.

Um transplantado que não esconde a preocupação diante da possibilidade de ficar sem remédio é o artesão Antônio César Souza de Oliveira, 36 anos. Há uma semana ele foi buscar os habituais 60 comprimidos que consome em um mês e recebeu apenas 30. A cartela acabou e, diante da indefinição, ele teme o que pode vir a ocorrer caso tenha que suspender provisoriamente o tratamento. "Espero que chegue logo, para que não precise ficar sem tomar. É uma medicação que não é comercializada e, caso fosse, não teria como arcar com os custos, que são muito altos", diz Oliveira, que foi submetido a um transplante de rim há quatro anos.

O diretor de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), Lindemberg Assunção, atribui a falta da medicação à suspensão do registro do antigo fornecedor pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que levou a secretaria a realizar um novo registro de preço com um laboratório concorrente, o EMS. "Todos os estados estão tendo que migrar de fabricante. Com o boom no consumo, o laboratório não tem condições de atender a todo país", explica.

Enquanto não regulariza a situação, a Sesab adotou algumas medidas paliativas: abriu pregão emergencial para adquirir medicamentos com o laboratório Roche e solicitou uma cota ao estado do Pernambuco.

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