
A campanha de incentivo à doação voluntária de órgãos, a ser realizada no primeiro trimestre deste ano, deverá aumentar a captação para que sejam atendidas quase mil pessoas que estão na fila de espera por córnea, rim e coração no Piauí. A informação é de Rosa Carmelita Alencar, assistente social da equipe multidisciplinar da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do Estado (CNCDO-PI), conhecida como Central de Transplantes.
Ela disse que 600 pessoas aguardam transplantes de córnea, 375 de rim e duas de coração, um total de 977 pacientes, citando levantamento atualizado no fim de dezembro passado. Em 2007, a Central de Transplantes fez 51 transplantes de córnea, 37 de rim e um de coração.
Acompanhamento garantido
Além de notificar, captar e distribuir órgãos, a Central acompanha os pacientes que receberam transplantes. Quem recebeu rim é assistido pelas clínicas responsáveis pela cirurgia, mas a Central faz acompanhamento para que o paciente tenha boa qualidade de vida. "Verificamos como o paciente se sente e se há doenças relacionadas ao transplante", explicou.
Atualmente, a Central dá acompanhamento a 105 transplantados com órgãos de cadáveres e 193 de vivos. São quase 300 pacientes que melhoraram suas condições gerais de saúde após o transplante e são acompanhados desde 2002, ano da fundação da CNCDO-PI. Desde aquela data, 17 pessoas receberam coração novo no Piauí, graças a esse trabalho.
Dos cerca de 300 pacientes observados desde 2002, a Central mantém contatos permanentes com 150. A razão, explicou Rosa Carmelita, é que muitos dos pacientes se mudaram para outros estados, enquanto outros morreram por motivos diversos. Remédios são fornecidos pela Farmácia de Medicamentos Excepcionais.
Rosa Carmelita disse que cada Estado do país tem uma CNCDO. O trabalho das centrais de transplantes estaduais é acompanhado por uma central nacional. Sempre que é possível, é feito intercâmbio de órgãos entre os estados. O que impede a intensificação do intercâmbio são as necessidades dos próprios estados, onde sempre há filas de espera. "Quando há uma perfuração de córnea em um determinado Estado, por exemplo, e não há córnea disponível lá, outro Estado pode enviar o tecido, desde que não haja um paciente com uma necessidade urgente nesse local", explicou.
Com a campanha de doação voluntária, já anunciada pelo secretário estadual da Saúde, Assis Carvalho, a CNCDO-PI espera motivar mais as pessoas para que sejam doadoras voluntárias. "Essa é nossa expectativa para que possamos diminuir a fila de espera", disse.