
O Hospital Miguel Couto voltou a fechar seis leitos da maternidade para obras menos de um mês após a Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil ter ordenado a reabertura de todas as unidades de atendimento depois que a grávida Manuela Costa, de 29 anos, perdeu seu bebê. Ela teve seu braço rabiscado com o nome do hospital que deveria procurar e os números dos ônibus que precisaria pegar para chegar lá. Uma vistoria realizada pelos presidentes da Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores, vereador Carlos Eduardo, e do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, constatou que uma enfermaria foi interditada para reforma e que gestantes estão internadas no corredor do hospital. Além da maternidade do Miguel Couto, eles inspecionaram, nas últimas duas semanas, oito maternidades, sendo sete municipais e uma privada em parceria com o SUS.
secretaria, no entanto, afirma que os onze leitos da maternidade do Miguel Couto ficaram fora de funcionamento por uma semana no início do mês para pequenas obras de rotina, como reparos de pintura e vazamento. Mas, que, desde o dia 7 de julho, a maternidade está com todos os 43 leitos em funcionamento.
Enquanto no hospital da Gávea as grávidas são atendidas no corredor, a Maternidade Municipal Oswaldo Nazaré, na Praça XV, apresentava, no último domingo, duas salas sem ocupação.
- A situação demonstra a falta de um plano de contingência no Miguel Couto e a ausência de integração entre as maternidades que fazem parte da rede - afirmou Carlos Eduardo.
Segundo ele, nada mudou após a inspeção realizada no início no mês que já apontava que a maternidade do Miguel Couto precisa de seis enfermeiros, 18 técnicos de enfermagem. O aparelho cardiotocógrafo, que detecta o sofrimento fetal, quebrado desde fevereiro, também não foi consertado.
Secretaria afirma que vai criar serviço de transporte especializado em gestante
Apesar de a Secretaria municipal de Saúde ter enviado, após o caso de Manuela, um ofício às maternidades alegando ser inadmissível a falta de remoção de gestantes por meio de ambulâncias, o problema persiste. Segundo anotações no livro de registro de ocorrências da Maternidade municipal Herculano Pinheiro, em Madureira, no último dia 25, uma mãe chegou à unidade às 16h, com o filho de dois meses em estado grave com baixa de plaquetas no sangue. A médica relata no relatório que conseguiu uma vaga para a criança no Hospital da Lagoa, mas que não conseguia uma ambulância para fazer a transferência. Segundo ela, após três ligações para os bombeiros, foi informada de que a Toesa, empresa contratada pela Secretaria municipal de Saúde, é que deveria fazer a remoção. Após aguardar até as 19h15m a ambulância, a mãe, desesperada, foi embora com a criança, sem autorização dos médicos. De acordo com as anotações, a ambulância chegou apenas às 19h45m e sem ter avisado a equipe médica que estava a caminho.
No último dia 20, a diretora da maternidade já havia enviado um ofício à superintendente de Maternidades, Maria Auxiliadora de Souza Mendes Gomes, relatando problemas com o transporte de uma grávida. Segundo o vereador Carlos Eduardo, profissionais da Maternidade Municipal Fernando Magalhães, em São Cristóvão, e da Maternidade Municipal Carmela Dutra, no Lins, relataram que vivenciam o mesmo problema de remoção.
A secretaria afirma que a Toesa é contratada para fazer o transporte de pacientes e, como todo serviço terceirizado, é monitorado e periodicamente passa por um controle de qualidade. Segundo a secretaria, ainda este ano será implantado um serviço de ambulância especializado para gestantes.